RESPONSABILIDADE SOCIAL E ENGAJAMENTO
RESPONSABILIDADE SOCIAL E ENGAJAMENTO
SÉRGIO MATTOS (*)
Apesar de figurar em quarto lugar como o país mais desigual no ranking mundial, o Brasil também está entre os países mais responsáveis e éticos do mundo. Ao mesmo tempo em que é considerado como um dos menos avançados no que diz respeito à concentração de renda, pois aqui os ricos são 33% mais ricos do que os pobres, o Instituto Social de Estudos Religiosos (Iser) apresenta dados instigantes: 23% dos adultos brasileiros (19,7 milhões de pessoas) doam parte do seu tempo para ajudar os outros. Isto significa que, apesar das desigualdades ainda existentes e gritantes, o brasileiro está cada vez mais consciente de seu papel como agente transformador da realidade e começa a se engajar no trabalho que visa a construção de um mundo mais próspero, justo e ambientalmente sustentável.
A responsabilidade social, entretanto, não pode ser parcial, ela exige a participação e o engajamento de todos e de forma integral. Como se costuma afirmar, “voluntariado é engajamento cívico”, mas para que este exercício da cidadania seja praticado conscientemente, devemos ter em mente que a responsabilidade social é, antes de tudo, uma responsabilidade do indivíduo e não das empresas e do Estado. Ter responsabilidade social não é uma escolha, é um dever de todo cidadão. É dever do cidadão cumprir o seu papel de tornar menos desigual a sociedade na qual está inserido. Este engajamento, individual ou coletivo, (por meio de uma empresa, da qual ele seja o dirigente máximo ou um simples funcionário), deve ser direcionado para a promoção do desenvolvimento sustentável.
É preciso que os empresários e cidadãos conscientes saibam distinguir e nunca confundir responsabilidade social com filantropia. A filantropia ou benemerência tem caráter assistencial e é uma ação que não incorpora mudanças multiplicadoras e auto-sustentáveis. A responsabilidade social está diretamente relacionada com a tomada de decisões que valorizem principalmente a ética, o cidadão, as comunidades e o meio ambiente. Ter responsabilidade social é assumir compromisso com o bem-estar das comunidades onde atuamos, contribuindo diretamente para diminuir as desigualdades, visando o resgate da cidadania e preservação do meio ambiente. A responsabilidade social envolve ainda solidariedade, respeito à dignidade humana e do bem comum, a produção de bens e serviços de qualidade, além do compromisso permanente com a transparência e a ética.
Desenvolvimento sustentável é promover a melhoria dos indicadores sociais e condições de vida, satisfazendo as necessidades do presente, sem comprometer o meio ambiente e o futuro do próprio ser humano. Para que isto aconteça é necessário nos engajarmos na luta por políticas públicas de inclusão social, inclusão cultural e digital, além de procurarmos garantir educação e saúde de qualidade, serviços de assistência social como direito do cidadão e não como um favor da empresa ou do Estado. Precisamos também nos engajar no combate sustentável à pobreza. Em síntese, devemos fazer um exame de consciência buscando identificar o que estamos fazendo e o que precisamos ainda fazer para assumir o nosso papel de cidadão na prática social responsável, atuando como agentes multiplicadores de ações voltadas para o desenvolvimento humano e a inclusão social.
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( * - Sérgio Mattos é Doutor em Comunicação, professor, jornalista e membro do Comitê Consultivo da Rede Ethos de Jornalistas). Texto publicado na Tribuna da Bahia, dia 21 de dezembro de 2007, pagina 06.
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